domingo, 23 de julho de 2017

FANATISMO POLÍTICO E RACIONALIDADE: QUESTÕES PARA PENSAR

     
           De todas as campanhas políticas as quais eu pude presenciar e vivenciar, eu nunca consegui ficar neutro ou indeciso em nenhuma delas. Tão logo começavam as campanhas eleitorais, sobretudo para as eleições municipais, eu logo me decidia por um dos lados e militava ardorosamente em prol de um dos candidatos. Comecei por Neco Fortunato, depois Dedé Pereira, depois Eudo Lopes, depois Dr. Orlando, depois Uady Farias, depois Esdras Farias, depois a mim mesmo. Nunca consegui ser imparcial ou ficar “em cima do muro”, como dizemos por aqui. Entretanto, nunca fui cabo eleitoral, nem nunca participei de alas jovens, mas sempre declarei abertamente qual era a minha opção de candidato e defendia fervorosamente a sua bandeira e vestia as suas cores. Se eu estava certo ou errado, não sei! Só sei que naquela ocasião, aquela era a minha escolha. Eu ia por quem meu coração acelerava, não importava o partido ou coligação. Eu sempre votei nas pessoas e não nos partidos que elas representavam (só mais tarde entendi que isso também deveria ser levado em consideração). Se eu defendia uma candidatura, eu me dedicava de corpo e alma por aquele ideal. Algumas ganhamos, outras perdemos. Senti o gosto da derrota e da vitória, como em tudo nessa vida. Mas em todas elas respeitei as pessoas e suas escolhas e por isso nunca briguei ou me intriguei com ninguém por causa de política.
          Nessas campanhas eleitorais os ânimos sempre ficavam exaltados e cada um que quisesse defender que seu candidato era o melhor. Às vezes alguns amigos e familiares estavam em lados opostos, no entanto nos respeitávamos e, passada a campanha, tudo voltava ao normal. As ideologias, as brigas e as defesas de pontos de vista ficavam para trás. Alguma rixa só perdurava durante a campanha eleitoral, depois prevalecia o amor, pois os laços afetivos falavam mais alto.
          Estando do outro lado agora, percebo quão nefasta pode ser a política partidária alicerçada no fanatismo. Da última campanha política para cá (quase um ano) contabilizo as dezenas de amigos, colegas e conhecidos que se afastaram do meu ciclo de convivência, simplesmente porque eu aceitei ser candidato a prefeito. Quantas dessas pessoas deixaram de me cumprimentar por causa disso? Quantas dessas pessoas ainda passam por mim e fingem que não me veem (rabissacas, cusparadas)? Quantas dessas pessoas atravessam para o outro lado da calçada para não cruzar comigo? Quantas dessas pessoas não participam de eventos públicos porque eu possa aparecer lá? Quantas outras pessoas me julgam e me “apedrejam” sem nem sequer me conhecer direito?
          Ainda hoje são inúmeras pessoas que agem assim. Dezenas delas, simplesmente porque não aceitaram o fato de eu ter saído candidato e hoje estar como prefeito da cidade. Muitas eram “amigos” de longa data, colegas de trabalho, de viagens, de infância. Outros foram meus alunos tão queridos e tão amados; alunos com os quais tive laços afetivos tão fortes; alunos os quais pude ajudar a se desenvolver com a força do meu trabalho. Amigos e ex-alunos que se foram por causa da nefasta força da política partidária. Hoje são inimigos que nunca tive e que agora declaram guerra a mim. Por quê?
          Sinceramente até hoje eu ainda não consigo entender o motivo de tamanha hostilidade. Afinal, ser candidato era um direito constitucional conferido a mim e a todos os demais cidadãos que quisessem ser candidatos e atendessem aos requisitos da justiça eleitoral. Eu apenas atendi o chamado de um povo que me pediu para ser candidato, mas em momento algum eu pensei que isso geraria tanto ódio, tanto rancor e tanta ira em pessoas tão próximas. Ora, éramos três candidatos e eu sempre defendi o voto livre, por isso nunca mudei o meu tratamento com as pessoas que não votavam/votaram em mim. Eu sempre respeitei suas escolhas, afinal cada um sabia os motivos pelos quais estava optando por um ou por outro candidato. No processo eleitoral pedi votos porque isso fazia parte da campanha, mas nunca briguei ou me intriguei com alguém que eu sabia que não votava em mim. Era legítimo. Faz parte da democracia.
          Poxa, por que esse ódio tão grande? Somos todos conterrâneos, nascemos aqui, temos laços de natalidade, amamos essa cidade e por isso nada justifica essa perseguição implacável, nem esse desejo de que tudo dê errado. A torcida do “quanto pior melhor” não combina com quem diz que ama essa terra. Se estou como prefeito agora, em breve deixarei de estar. Tudo é muito passageiro nessa vida e penso que não vale à pena jogar fora a convivência de uma vida inteira por causa de questões políticas.
          A você meu amigo de longa data. A você meu ex-aluno querido. A você parente ou conhecido. A você que se intrigou de mim simplesmente porque eu me candidatei e, sem querer, contrariei os interesses do candidato que você escolheu registro aqui minha tristeza pela campanha eleitoral ainda habitar dentro de você. Tenho certeza de que nunca fiz nenhum um mal pessoal a nenhum de vocês. Era até compreensível (embora inaceitável) que esse ódio gratuito e esse rancor desmedido viessem dos outros candidatos ou dos seus familiares, mas de pessoas com as quais eu sempre convivi e para as quais eu nunca fiz nenhum mal, é realmente algo inquietante.
          É claro que tudo isso me entristece, afinal são (eram) pessoas tão queridas, para com as quais eu sempre tive tanto carinho e apreço. Vestidas de ódio, não vejo mais o sentimento de humanidade que eu sempre reconheci nelas. Infelizmente vejo nessas pessoas o mesmo sentimento de um torcedor que mata o outro só porque ele torce pelo time contrário ou o mesmo sentimento de um homem-bomba que explode uma igreja só porque ali tem pessoas praticando uma religião diferente da sua. Tudo movido por um ódio gratuito, sem causa aparente e sem nenhuma racionalidade. Tristes comportamentos humanos.
          E enquanto ainda não consigo dirimir e entender esses comportamentos continuo me inquietando e não entendendo o motivo de tantos ataques e de tanto ódio, o que também é sentido por centenas de eleitores meus. Porém, se a política tem dessas coisas e se isso é natural nesse meio, infelizmente terei que me acostumar com isso também. Avança ser humano. Avança!

domingo, 9 de julho de 2017

SEIS MESES E UMA MISSÃO

     
         Junho foi o mês que coroou o seis primeiros meses da nossa gestão a frente da Prefeitura Municipal da nossa amada Jaçanã. Esse primeiro semestre foi muito difícil para todos nós, tanto pela própria conjuntura sócio-econômica e política que o país atravessa, como também pelos fatores de ordem local enfrentados, como a nossa própria inexperiência com gestão pública, a situação como a "casa" nos foi entregue, a falta de recursos financeiros, a ausência de informações, etc.
      Foram sem dúvidas meses muito turbulentos e tumultuados. Entretanto, apesar de tudo, conseguimos imprimir a nossa marca e estabelecer o nosso ritmo nesse primeiro meio ano de gestão. Foi preciso "cortar na carne", erradicar práticas antigas, acabar com alguns vícios, cortar privilégios arraigados, acabar com apadrinhamentos, economizar drasticamente e fazer a gerência da cidade com foco nos aspectos coletivos.
        Unidos num só ideal, nenhum de nós mediu esforços para fazer o que tinha que ser feito. Era preciso instaurar um novo tempo e construir uma nova forma de fazer gestão pública: com transparência, com descentralização e com foco nas reais necessidades do povo. Nesse ínterim, foram dezenas e dezenas de reuniões, ajustes, cortes, substituições, chamados de atenção, "carões". Os secretários e demais profissionais da administração direta sofreram muito nesse período. Como abelhas operárias em uma colmeia, estiveram expostos a toda sorte de cobranças, de contratempos e de obstáculos. Com quantos "nãos" tiveram que lidar nesse período? Inúmeros. Mas não pouparam esforços para ver suas pastas andarem e para ver as pessoas serem prontamente atendidas nas suas necessidades mais básicas.
        Nesses seis meses, a nossa gestão nunca parou. Noites sem dormir. Projetos em andamento, recursos zerados, dívidas a perder de vista, sistemas para alimentar, correria, reuniões, elaboração de documentos, burocracia, espera angustiante, um turbilhão de coisas a fazer (...) E lá se passou meio ano. É hora então de fazermos um balanço geral, de olharmos para dentro e de nos perguntarmos: O que conseguimos fazer até aqui?
       As respostas se consolidam nas inúmeras ações que pudemos realizar nesse primeiro semestre. Sensação de dever cumprido, de que estamos no rumo certo e de que as coisas começam a tomar forma e a seguirem o seu curso normal. O programa Fala Prefeito #05 atesta a dimensão de tudo isso (veja em nossa canal no YouTube: Jaçanã em Evidências). É claro que ainda há muito e muito a ser feito, mas não esqueçamos de que estamos apenas no começo de um mandato de três anos e meio que ainda temos pela frente.
         É evidente que o que realizamos até aqui não é nenhum favor e o que já foi feito nada mais é do que nossa obrigação enquanto gestores públicos que somos. No entanto não deixamos de nos regozijar pelo tanto de ações que já possível implementar até aqui, apesar das inúmeras dificuldades que enfrentamos. Certamente há muito ainda para ser feito, mas ao menos não podem nos acusar de não estarmos fazendo nada. As nossas ações estão aí para quem quiser comprovar, frutos de uma gestão pública inovadora, sem arrumadinhos políticos, sem agiotagem, sem segredos de bastidores, sem fazer uso indevido do dinheiro público.
        Por tudo isso, é tempo de celebrar. É tempo de contabilizar os nossos feitos, de inflarmos o peito e dizermos: "Sim, nós podemos! Sim, estamos no rumo certo com a mira posta no futuro grandioso que a nossa Jaçanã de meio século tem pela frente!"
         Com a sensação de que o nosso dever está se cumprindo, elevo a minha gratidão a todos que nos ajudam na labuta diária na construção dessa cidade; a todos que compreendem as nossas limitações; e a todos que torcem pela nossa gestão e que acreditam numa Jaçanã melhor, mais humana e mais igualitária para todos nós. Juntos sempre somos mais fortes.
           Obrigado de coração! Força e fé no que virá!

sexta-feira, 23 de junho de 2017

SEIS MESES E UMA REFLEXÃO

       
       Estou prestes a completar seis meses a frente da gestão municipal da nossa amada Jaçanã. Neste tempo, por algumas vezes tive que me acostumar a alcunha de prefeito e, na maioria das vezes, continuei sendo eu mesmo: o mesmo Oton de sempre, tentando levar a mesma vida de outrora, a mesma rotina diária, fazendo as mesmas coisas, sendo o mesmo que sempre fui. O peso do cargo me rouba de mim, mas eu não me deslumbro.
           Do ponto de vista da minha intimidade, o fato de eu ser gestor da cidade não alterou em nada a forma como eu percebo ou encaro a vida. Continuo tendo os mesmos hábitos, os mesmos gostos, as mesmas convicções. Ser "prefeito" não mudou a minha cabeça e eu não me fez me sentir melhor ou mais importante por causa disso. Sei que tudo isso é muito passageiro e a vida é muito mais que um simples cargo. Na minha concepção, continuo sendo o mesmo funcionário público que sempre fui, com o mesmo compromisso, a mesma garra e o mesmo amor às coisas a que me dedico. Na verdade eu apenas atravessei a calçada e troquei de prédio e de público, mas a missão de ajudar as pessoas e de transformar vidas é exatamente a mesma, claro que com uma dose a mais de responsabilidade, de perigo e de contratempos.
             Do ponto de vista social, me distanciei um pouco de mim mesmo e estou aprendendo a ser uma pessoa que eu não era ou que ao menos não reconhecia dentro de mim. O rótulo pesa, causa inveja, traz terríveis transformações interiores. Convívio diário com holofotes, dedos rígidos apontando os tropeços, acusações, achincalhamentos, passos vigiados. Travo uma briga diária entre a visão que o senso comum tem de mim e a que trago de verdade na minha essência. Cobranças, apelos, súplicas, expectativas. Aplausos e elogios? Às vezes surgem para energizar a alma. Nessa nova condição de gestor, tive que aprender a lidar com as ofensas, adquiri inimigos que antes eu não tinha, sou constantemente vigiado, amado, odiado, admirado, ignorado (...) Tenho provado um misto de novas emoções e sensações com as quais eu ainda não estava acostumado. É o preço de estar em evidência. Faz parte. Eu sei.
      Do ponto de vista político, cada vez mais tenho certeza de que estou totalmente fora da política tradicional. A forma como eu encaro e percebo a política é totalmente avessa da que estamos acostumados a ver por aí. Parece que fazer o errado é que é o certo. Há uma completa inversão de valores nos bastidores da política e também um terrível jogo de interesses, de busca por vantagens pessoais, de tratados escusos. Tudo tão natural. Para mim, não! Ao que tudo indica não sei ser político. Não esse tipo que me apresentam aí todos os dias, em todas as esferas. Finco o pé no chão para não ceder a esse jogo de interesses, mas pago o alto preço por agir assim. Inexperiência talvez. Prefiro acreditar que é uma questão de índole, de princípios e de valores morais que ainda habitam em mim. Sei que se cedesse tudo seria mais fácil. Mas ceder vai totalmente de encontro a tudo o que acredito e prego. Melhor não! O povo não merece isso, apesar de que as velhas práticas políticas ainda estão entranhadas no seio da sociedade e ir de encontro a elas é realmente muito difícil.
         Enfim, seis meses se passaram e do ponto de vista prático tenho certeza de que estou no rumo certo. Conto com um time de primeira linha (secretários e colaboradores) que tem me ajudado a colocar as coisas nos trilhos. Apesar das inúmeras dificuldades encontradas nesse período, já consegui colocar em prática 35% do meu Plano de Governo. Claro que ainda falta muita coisa a fazer, afinal o nosso Plano de Ação é para quatro anos e estou na gestão há apenas seis meses.
        Apesar das inúmeras dificuldades enfrentadas nesse semestre (todos sabem quais são), as ações do nosso governo se espalham pelos quatro cantos da cidade. A saúde está funcionando plenamente, assim como também a educação, a agricultura, os transportes e as demais secretarias. Na infraestrutura não temos medido esforços para revitalizar a cidade e darmos continuidade às obras paralisadas. São novos modelos de gestão que às vezes chocam, atordoam e vão de encontro às velhas práticas, embora tenhamos nos preocupado sempre em realizar tudo à luz das leis vigentes.
         O caminho tem sido árduo, tortuoso, cheio de empecilhos, mas seguimos na batalha que me foi confiada por Deus, afinal "não há autoridade que não venha de Deus; as que existem foram instituídas por Deus" (Romanos 13: 1-5).
       Não sei o que me aguarda. Não sei o que me espera. Só sei que o momento é de construção e de honradez pela função que me foi confiada. Cada dia aprendo um pouco mais. Cada dia "mato um leão" para sobreviver e para estabelecer meu ritmo nessa política tão diferente da que eu acredito. Mas enfim, vamos à luta e ter "força e fé no que virá", confiando sempre que dias melhores estão por vir. O tempo trará as respostas necessárias.