sexta-feira, 23 de junho de 2017

SEIS MESES E UMA REFLEXÃO

       
       Estou prestes a completar seis meses a frente da gestão municipal da nossa amada Jaçanã. Neste tempo, por algumas vezes tive que me acostumar a alcunha de prefeito e, na maioria das vezes, continuei sendo eu mesmo: o mesmo Oton de sempre, tentando levar a mesma vida de outrora, a mesma rotina diária, fazendo as mesmas coisas, sendo o mesmo que sempre fui. O peso do cargo me rouba de mim, mas eu não me deslumbro.
           Do ponto de vista da minha intimidade, o fato de eu ser gestor da cidade não alterou em nada a forma como eu percebo ou encaro a vida. Continuo tendo os mesmos hábitos, os mesmos gostos, as mesmas convicções. Ser "prefeito" não mudou a minha cabeça e eu não me fez me sentir melhor ou mais importante por causa disso. Sei que tudo isso é muito passageiro e a vida é muito mais que um simples cargo. Na minha concepção, continuo sendo o mesmo funcionário público que sempre fui, com o mesmo compromisso, a mesma garra e o mesmo amor às coisas a que me dedico. Na verdade eu apenas atravessei a calçada e troquei de prédio e de público, mas a missão de ajudar as pessoas e de transformar vidas é exatamente a mesma, claro que com uma dose a mais de responsabilidade, de perigo e de contratempos.
             Do ponto de vista social, me distanciei um pouco de mim mesmo e estou aprendendo a ser uma pessoa que eu não era ou que ao menos não reconhecia dentro de mim. O rótulo pesa, causa inveja, traz terríveis transformações interiores. Convívio diário com holofotes, dedos rígidos apontando os tropeços, acusações, achincalhamentos, passos vigiados. Travo uma briga diária entre a visão que o senso comum tem de mim e a que trago de verdade na minha essência. Cobranças, apelos, súplicas, expectativas. Aplausos e elogios? Às vezes surgem para energizar a alma. Nessa nova condição de gestor, tive que aprender a lidar com as ofensas, adquiri inimigos que antes eu não tinha, sou constantemente vigiado, amado, odiado, admirado, ignorado (...) Tenho provado um misto de novas emoções e sensações com as quais eu ainda não estava acostumado. É o preço de estar em evidência. Faz parte. Eu sei.
      Do ponto de vista político, cada vez mais tenho certeza de que estou totalmente fora da política tradicional. A forma como eu encaro e percebo a política é totalmente avessa da que estamos acostumados a ver por aí. Parece que fazer o errado é que é o certo. Há uma completa inversão de valores nos bastidores da política e também um terrível jogo de interesses, de busca por vantagens pessoais, de tratados escusos. Tudo tão natural. Para mim, não! Ao que tudo indica não sei ser político. Não esse tipo que me apresentam aí todos os dias, em todas as esferas. Finco o pé no chão para não ceder a esse jogo de interesses, mas pago o alto preço por agir assim. Inexperiência talvez. Prefiro acreditar que é uma questão de índole, de princípios e de valores morais que ainda habitam em mim. Sei que se cedesse tudo seria mais fácil. Mas ceder vai totalmente de encontro a tudo o que acredito e prego. Melhor não! O povo não merece isso, apesar de que as velhas práticas políticas ainda estão entranhadas no seio da sociedade e ir de encontro a elas é realmente muito difícil.
         Enfim, seis meses se passaram e do ponto de vista prático tenho certeza de que estou no rumo certo. Conto com um time de primeira linha (secretários e colaboradores) que tem me ajudado a colocar as coisas nos trilhos. Apesar das inúmeras dificuldades encontradas nesse período, já consegui colocar em prática 35% do meu Plano de Governo. Claro que ainda falta muita coisa a fazer, afinal o nosso Plano de Ação é para quatro anos e estou na gestão há apenas seis meses.
        Apesar das inúmeras dificuldades enfrentadas nesse semestre (todos sabem quais são), as ações do nosso governo se espalham pelos quatro cantos da cidade. A saúde está funcionando plenamente, assim como também a educação, a agricultura, os transportes e as demais secretarias. Na infraestrutura não temos medido esforços para revitalizar a cidade e darmos continuidade às obras paralisadas. São novos modelos de gestão que às vezes chocam, atordoam e vão de encontro às velhas práticas, embora tenhamos nos preocupado sempre em realizar tudo à luz das leis vigentes.
         O caminho tem sido árduo, tortuoso, cheio de empecilhos, mas seguimos na batalha que me foi confiada por Deus, afinal "não há autoridade que não venha de Deus; as que existem foram instituídas por Deus" (Romanos 13: 1-5).
       Não sei o que me aguarda. Não sei o que me espera. Só sei que o momento é de construção e de honradez pela função que me foi confiada. Cada dia aprendo um pouco mais. Cada dia "mato um leão" para sobreviver e para estabelecer meu ritmo nessa política tão diferente da que eu acredito. Mas enfim, vamos à luta e ter "força e fé no que virá", confiando sempre que dias melhores estão por vir. O tempo trará as respostas necessárias.


7 comentários:

  1. Excelente texto, amigo. Muito claro e realista. Gostei demais. Parabéns por ainda acreditar e lutar por uma política de qualidade.

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  2. As pessoas atribuíram à política - ciência de governar, administrar - uma característica de corrupção, mas você, Oton, está aí para representar a política como deve realmente acontecer. Grande gestor, grande exemplo. Não deixe jamais ninguém tirar isso de você, está sendo um espelho para muitos, inclusive para mim que tive a opotunidade de ser sua aluna,não por muito tempo, mas o suficiente para observar valores éticos e morais que tanto admiro. Parabéns, vá à luta!

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  3. Pode até ser repetitivo, mas não vou deixar de dizer, suas reflexões e posições sólidas são sempre agradáveis de ler (ou ouvir)!! Por mais que falem de assuntos desfiadores, seus textos sempre nos fazem refletir sobre a vida!! Avante a honra e moralidade, chega de corrupção.

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  4. Como uma fênix da capa, renasceremos a cada dia, se nos libertaremos das amarras do passado. Um grande passo, o povo de Jaçanã já deu e os atos vindouros dessa história, Deus dirigirá. Força e fé, sempre!!

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  5. Parabéns pelo trabalho como prefeito. Não estou surpresa pelos benefícios proporcionados para Jaçanã. Você,pessoa pra frente, olhar sonhador,faz tudo com amor, pensando no melhor pro outro. Amei seu texto, evidenciando suas ações sem perder o foco do ser humano simples e de caráter que és.Deus continue guiando seus passos, livrando do mal e te dando discernimento para tudo que fizeres. Grande abraço!

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  6. A imagem da Fênix é bem sugestiva. Nosso gestor é uma pessoa esplêndida em seus ideias, seus valores, seu caráter. Além de ser um extraordinário escritor, é uma das pessoas mais incríveis que DEUS me presentou e entregou o destino de minha cidade em suas mãos. Só tenho a agradecê-lo pelo privilégio de poder estar contigo dividindo nossos sonhos de uma Jaçanã mais livre, justa e igualitária sem distinção. Parabéns, AMORE!

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