quarta-feira, 16 de agosto de 2017

PREFEITURA E CÂMARA, UMA RELAÇÃO CONTURBADA

     
Uma ilustração para ficar mais claro
      Muitos colegas de partido de outras cidades, do diretório estadual e até conterrâneos me perguntam constantemente como é a minha relação com a Câmara Municipal de Vereadores aqui de Jaçanã. Evidentemente eles me perguntam isso porque sabem da importância de se haver um bom relacionamento entre esses dois poderes municipais (executivo + legislativo). E eu também sei disso, por isso que tenho grande admiração e respeito por aquela Casa Legislativa, embora, desde o início da gestão, eu venha tendo problemas com o descontentamento pessoal de alguns senhores que ali "legislam".
        Ainda na campanha eleitoral, muitas pessoas me diziam que eu não administraria Jaçanã porque não teria força na Câmara. E eu sempre discordei disso, pois para mim sempre foi indiferente se eu teria "força" no legislativo ou não, afinal o executivo tem o seu papel e o legislativo tem o dele e os dois se completam no gerenciamento de um município.
            Na minha concepção, eu sempre tive muito bem definido qual seria o papel da Prefeitura e qual seria o papel da Câmara na administração do nosso município. Por isso que para mim tanto faz ter maioria ou minoria, ter situação ou oposição. Para mim o importante mesmo é que os senhores vereadores se coloquem no seu papel de legisladores e cumpram o seu papel social frente a comunidade que eles representam. 
              Sempre fui acusado de não dialogar bem com os vereadores. O que não é verdade, pois sempre mantive uma cordial relação com todos eles e, mesmo enquanto representante do executivo, estive sempre a disposição para colaborar e responder plenamente aos seus questionamentos. O problema é que esse "dialogar bem" às vezes pode ter outras interpretações.
        A bem da verdade é que, a exceção de quem é novato, os vereadores são sempre os mesmos. A diferença é que alguns aproveitam a experiência dos seus mandatos anteriores para evoluírem e para realmente se empoderarem das suas atribuições e fazerem a coisa certa em prol da população. Já outros teimam em se agarrar às práticas da velha política e sempre se revoltam quando algo foge aos seus interesses meramente pessoais e familiares. Ou seja, é a história da velha "ajudinha" que eles tanto tinham e que ainda queriam continuar tendo.
         Realmente tenho tido grandes dificuldades com a maioria dos vereadores da nossa cidade. Em geral, as sessões legislativas são sempre cheias de ataques, de ofensas, críticas destrutivas e combinação de votos para que os projetos enviados para o bem da comunidade não sejam aprovados. Na verdade há uma retaliação explícita e politicalha de primeira grandeza.
             Pessoalmente não me angustio e não sofro quando envio um projeto para a Câmara Municipal e ele não é aprovado (como tudo indica que sempre não serão). Nunca enviei ou enviarei para aquela Casa um projeto de lei em meu próprio benefício. Logo, se um projeto que envio não é aprovado, quem está perdendo em cheio é a população jaçanaense e/ou algumas categorias profissionais que seriam contempladas, e não eu.
       É evidente que para cada regra há as exceções. Temos excelentes legisladores naquela Casa, que têm feito o seu papel magistralmente, que provocam o debate e fundamentam suas argumentações; se opondo quando têm que se opor e sendo flexível quando têm que ser. Entretanto, a maioria deles faz oposição pela simples oposição, com discursos prontos e ensaiados, parecendo ser teleguiados por alguém.
      Neste mandato, alguns deles aprenderam a palavrinha mágica "fiscalizar" e desde então justificam seus ataques à gestão municipal como sendo "fiscalização em nome do povo". Ao meu ver, fiscalizar é muito mais que tirar fotos de urubus, de buracos em ruas, de lâmpadas queimadas, de árvores podadas, etc e postar no facebook. Fiscalizar é visitar os órgãos públicos e procurar saber porque uma ou outra ação não está acontecendo. Fiscalizar é procurar a Prefeitura e as secretarias municipais e conversar com as pessoas responsáveis por cada pasta e exigir esclarecimentos, analisar documentos, confrontar dados, reunir provas e juntar elementos concretos.
              O mais curioso é que a maioria dos vereadores que atuam naquela Casa hoje são os mesmos da legislatura anterior. Desde julho de 2016 as ruas do Conjunto Flores 2 estavam esburacadas por causa de uma obra de saneamento não concluída. Desde outubro de 2016 as bombas de praticamente todos os chafarizes estavam queimadas. Desde agosto de 2016 dezenas de postes estavam com suas lâmpadas queimadas. Desde, nem sei que mês, a cidade estava repleta de buracos nas ruas. Desde 1963 as ruas da cidade estavam sem faixas de pedestres pintadas (desde...) E onde estava a tal fiscalização desses vereadores tão atuantes agora?
       Quando trabalhei os Programas Jovem Senador e Parlamento Jovem Brasileiro com os meus alunos, aprendemos juntos que a função maior de um legislador é a de elaborar projetos de lei para melhorar a vida da população que representam. Em seguida eles devem discutir esses projetos numa assembleia e, uma vez aprovados pela maioria dos seus pares, os encaminharem ao executivo para sanção ou veto. Não temos visto isso. Travestido de "fiscalização" o que há na verdade é uma oposição pela oposição, motivada por práticas da velha política que foram abolidas nessa gestão. 
          E para dar ainda mais transparência á minha gestão, é importante que a nossa população saiba que no dia 20 de cada mês temos que fazer o repasse mensal à Câmara Municipal. É o chamado duodécimo (repasse financeiro oriundo do FPM para manter aquela Casa Legislativa em funcionamento). Sendo assim, todo dia 20 repassamos pouco mais de R$ 60 mil reais para aquela Casa. Esse montante é administrado pela presidência da Câmara que repassa mensalmente um salário de mais de R$ 3 mil a cada vereador. Nesses sete meses, apesar de todas as dificuldades enfrentadas com os reduzidos repasses do FPM, nunca deixamos de repassar rigorosamente os valores destinados à Câmara, isto quer dizer que os senhores vereadores nunca deixaram de receber os seus salários em dias, porque a sua presidência é competente e faz o pagamento deles todo dia 20.
          Sei que serão quatro anos de ataques e de inconformismo por parte de alguns deles. Entretanto, nós da gestão não vamos nos deixar abalar por impropérios e nem por críticas vazias. Estamos fazendo uma gestão com recursos reduzidos, de forma transparente e à luz das leis vigentes, portanto não temos com o que nos preocupar.
         Uma vez que estou a maioria do tempo resolvendo questões da administração e tendo onze secretarias para cuidar, certamente não dou conta de estar em todos os lugares ao mesmo tempo e nem de ver in loco todos os problemas da cidade. Por isso, até acho bom quando esses vereadores "fiscais" apontam alguma falha nossa, pois assim ficamos sabendo imediatamente e temos como corrigir e/ou intervir em tempo hábil. Na verdade, eles acabam sendo os nossos olhos na dimensão que é uma cidade como Jaçanã. Sem saber, mesmo de um jeito torpe, acabam nos ajudando. Por favor, continuem "fiscalizando", senhores!
            E para finalizar, aos vereadores que ali estão e que honram a confiança que os seus eleitores lhes depositaram (sabedores do real motivo pelo qual estão ali), os nossos préstimos, o nosso respeito e a nossa admiração. Força e fé no que virá!

quinta-feira, 10 de agosto de 2017

ESTUDANTES E EU, UMA RELAÇÃO PARA SEMPRE


       Neste dia 11 de agosto comemoramos aqui o Dia do Estudante. Claro que o dia do estudante é todo dia, mas essa data foi escolhida para marcar a importância que tem quem faz da educação um pilar para o seu sucesso pessoal e profissional. É inegável que são os estudantes os responsáveis pela existência das escolas, pelos cursos e por todos os profissionais que neles trabalham. Nada existiria sem a figura do estudante. E não importa em que nível se está: creche, pré-escola, ensino fundamental, ensino médio, faculdade, universidade, cursinho, curso técnico, curso de aprimoramento, etc. Não importa mesmo! Estudante é sempre estudante. Eles quem são a engrenagem que move o mundo, afinal todos aqueles que têm uma profissão formal (e até mesmo informal) já foi estudante um dia.
           Pessoalmente sempre tive uma ligação muito forte com os estudantes. Com eles, e por eles, vivi as melhores experiências da minha vida, quer tenha sido na vida profissional (como professor) ou mesmo em outros contextos.
     As minhas experiências pessoais com estudantes em Cuité (Colégio Millenium), em Natal (Escola João Tibúrcio e Colégio Criativo), em Picuí (Escola Macário Zulmiro), em Rio do Fogo (Escola Ana Fagundes) e aqui em Jaçanã (EMACC e Terezinha Carolino), nos meus 23 anos de docência, transformaram a minha vida de uma maneira absolutamente ímpar. Sem dúvidas, junto deles eu vivi os melhores anos da minha vida, afinal sempre tive uma excelente relação com os meus alunos e os quero sempre por perto.
    Vez por outra tenho a grata surpresa de me reencontrar com ex-alunos que não vejo há anos e eles me reconhecem e comentam comigo daquela saudável relação que tínhamos como professor e aluno e o quanto aquela forma de percebê-los como “estudantes” os impulsionou e transformou suas vidas. Fico sempre muito feliz!
         Hoje na gestão do município, sinto muita falta da minha relação com os estudantes; do convívio diário, de partilhar dos seus sonhos, de lhes repassar valores, de ajudar na sua construção humana, de fazer parte de suas vivências pessoais de uma forma tão próxima.
      Não nego que sempre tive uma inclinação maior pelos estudantes concluintes. Não que eu menosprezasse os demais, mas é que os de outras séries eu tinha a certeza de que conviveria com eles novamente no ano seguinte. Já os concluintes, não. Me angustiava saber que aquele era o último ano que estaríamos juntos para partilhar a magia da sala de aula e seus mistérios. E eu sempre dizia para eles: “Se aproveitem, se curtam, se abracem e celebrem tudo, pois em breve vocês não estarão mais aqui juntos e provavelmente nunca mais se reencontrarão. Nunca nada mais vai ser como nesse tempo. Por mais que vocês queiram, por mais que vocês marquem algo fora daqui, nada será igual como agora”. E eles se aperreavam e me pediam para não falar aquelas coisas. Mas era verdade. Com todos os concluintes é assim!
          Nessa minha trajetória docente tive tantas turmas maravilhosas, tantos estudantes incríveis. Foram 23 anos dentro de uma escola, amando e me dedicando ao convívio com os mais diferentes tipos de estudantes. Eles sempre foram como filhos para mim. Sei que para alguns eu fui inesquecível, para outros fui uma peste; outros já não lembram mais de mim; alguns foram apenas alunos, com outros estreitei grandes laços de amizade. E sempre que nos encontramos é aquela festa: abraços saudados, lembranças gostosas e conversas sobre os bons tempos vividos. (Eis a grande magia da profissão que escolhi).
          Estou passando uma chuva na gestão do município, mas sei que um dia voltarei ao meu convívio direto com os meus queridos estudantes. Mesmo fora da sala de aula, nada me impede que cuide deles, que me importe com eles, que contribua para o seu sucesso e vibre com a conquista de cada um.
          Não tenho dúvidas de que se estou na gestão agora devo isso à força dos estudantes jaçanaenses. Sem dúvidas foram eles que capitanearam a minha campanha e junto com seus pais e amigos me confiaram a gestão desse município.
          Vez por outra sou muito criticado e escuto insultos do tipo: “Sua gestão só tem moleque. Devia ter dado emprego a um pai de família”. Às vezes quando faço reunião com o meu pessoal, olho em volta e realmente percebo que 90% das pessoas que foram contratadas por mim para assumir cargos em comissão são ex-alunos meus e que realmente são muito jovens. E graças a Deus que são estudantes que passaram por mim, os quais eu conheço bem, com os quais eu convivi anos e anos e por isso conheço como ninguém suas potencialidades, suas capacidades, suas competências e suas índoles. São estudantes que aproveitaram a oportunidade que a vida lhes deu e estudaram e se especializaram, e se qualificaram, e se capacitaram e hoje podem assumir um cargo por capacidade técnica e não meramente por um empurrãozinho político.
          Tenho realmente muito orgulho dos estudantes que passaram por mim e sobretudo desses que hoje estão do meu lado contribuindo com a força do seu trabalho para o crescimento da nossa comunidade. Tenho orgulho de ter oportunizado a esses estudantes um lugar ao sol, um lugar na gestão municipal que eles jamais teriam se assim não fosse. Provavelmente a grande maioria deles jamais teria a oportunidade de colocar seus conhecimentos em prática, uma vez que é muito comum que esses cargos de comissão sejam sempre ocupados pelos parentes dos políticos.
          É evidente que há outras dezenas de estudantes que não tiveram a mesma oportunidade, infelizmente porque não há espaço para absorver todo mundo. A esses eu desejo toda a sorte do mundo e sei que a vida lhes dará a devida recompensa pelos seus tantos esforços. São igualmente amados e inesquecíveis.
          Amo todos os estudantes que passaram por mim. Todos com os quais eu tive o prazer de conviver, todos os quais eu pude tocar com a luz dos meus conhecimentos e pela minha paixão por educar. Nossa relação foi sempre uma troca e certamente aprendi muito mais do que ensinei.
          Por isso, estudantes de todas as turmas, de todos os anos e de todas as escolas em que trabalhei, recebam a minha sincera homenagem e os meus parabéns pelo dia de vocês. Sejam enormemente felizes!
              Feliz Dia do Estudante!

quinta-feira, 3 de agosto de 2017

POR UMA QUESTÃO DE IDENTIDADE

Desde quando eu ainda era menino, eu sempre me inquietava com uma pergunta: Por que será que nossos conterrâneos vivem nessa eterna ida e vinda, mergulhados no dilema entre morar fora e viver aqui?
Muitos deles apareceram por aqui nos últimos meses. Mas acreditem: não são apenas suas famílias ou a saudade que os trazem de volta. O que os fazem voltar mesmo, ainda que por apenas alguns dias, é uma coisa chamada "identidade". Isso mesmo, identidade. É isso que os move nessa eterna vontade de voltar e estar em Jaçanã.
Todo jaçanense que foi embora e que agora vive fora, espalhado pelas cinco regiões do Brasil e até mesmo no exterior, saiu para buscar melhores condições de vida, pois não encontraram oportunidades de se desenvolverem aqui. Às vezes não encontraram porque não tinham instrução suficiente, ou porque a cidade é pequena demais, ou porque lhes faltou qualificação profissional ou por falta de oportunidades e incentivos, ou por tantos outros motivos. Fato é que o movimento migratório é uma realidade jaçanaense desde a sua fundação. Quem entre nós não tem um conhecido ou parente que foi embora ou que vive fora? Fato é que todos eles nutrem um mesmo desejo: um dia voltar á terrinha e revisitar suas origens.
Há os que negam essa identidade e não dizem de jeito nenhum que são naturais de Jaçanã; alguns sequer querem ouvir falar no nome da cidade. Penso que esses trazem consigo algum trauma ou alguma grave decepção vivida num dado momento de suas passagens por aqui e, por isso generalizaram, achando que negar sua identidade apaga aquele recorte de uma situação vivida em algum fragmento do seu passado.
 Felizmente há aqueles filhos que têm orgulho de dizer que são de Jaçanã sim e que só não vivem mais aqui porque reconstruíram suas histórias em outras cidades. Verdade é que a identidade de uma pessoa é emblemática. E não tem jeito, você pode mentir para os outros e até para si mesmo, mas aonde quer que você vá a sua essência jaçanaense vai te acompanhar pelo resto da vida. Ela está entranhada no seu sangue e na sua mente. Não tem como fugir.
A identidade de um ser humano é como uma tatuagem: é para sempre. É ela que faz as nossas lembranças nos remeter às imagens, aos cheiros, aos sabores, aos costumes, às vivências e às gentes de nossa terra. Não adianta negar mesmo. Você pode até criar vínculos em outras regiões, mas foi aqui que você germinou. Foi neste solo que você brotou e, mesmo que não queira, trará consigo para sempre nossa Jaçanã como gênese da sua construção humana.
 E assim são os jaçanaenses que vão e que vêm nessa revoada eterna pela sobrevivência. Há os que aportam e criam ninhos noutros lugares e há aqueles (a maioria, por sinal) que não esquentam canto em lugar nenhum, porque a sua identidade grita mais forte no interior de seus corações e eles precisam voltar à fonte de sua criação como num ritual contínuo de revigoramento.
 Não tem jeito: a nossa identidade é mesmo reveladora e decisiva. Quantos de nós já andamos pelo mundo, conhecemos pessoas e cidades, mas somos conscientes de que o nosso retorno é como um órgão vital do nosso corpo e é em Jaçanã que está a fonte que o alimenta e que o nutre.
Um dia qualquer eu posso até voltar a sair daqui pra viver em outra cidade, mas tenho certeza de que voltarei sempre, e sempre, e sempre; movido pela minha identidade e por tudo que essa cidade representa pra mim. Afinal, a identidade a gente não escolhe, é ela que escolhe a gente e acontece com todas as pessoas, de todos os lugares do mundo. Identidade é raiz e raiz a gente finca no nosso chão. O resto é caule que se estende em várias direções e horizontes. Por isso viva a identidade de cada um de nós!