quinta-feira, 3 de agosto de 2017

POR UMA QUESTÃO DE IDENTIDADE

Desde quando eu ainda era menino, eu sempre me inquietava com uma pergunta: Por que será que nossos conterrâneos vivem nessa eterna ida e vinda, mergulhados no dilema entre morar fora e viver aqui?
Muitos deles apareceram por aqui nos últimos meses. Mas acreditem: não são apenas suas famílias ou a saudade que os trazem de volta. O que os fazem voltar mesmo, ainda que por apenas alguns dias, é uma coisa chamada "identidade". Isso mesmo, identidade. É isso que os move nessa eterna vontade de voltar e estar em Jaçanã.
Todo jaçanense que foi embora e que agora vive fora, espalhado pelas cinco regiões do Brasil e até mesmo no exterior, saiu para buscar melhores condições de vida, pois não encontraram oportunidades de se desenvolverem aqui. Às vezes não encontraram porque não tinham instrução suficiente, ou porque a cidade é pequena demais, ou porque lhes faltou qualificação profissional ou por falta de oportunidades e incentivos, ou por tantos outros motivos. Fato é que o movimento migratório é uma realidade jaçanaense desde a sua fundação. Quem entre nós não tem um conhecido ou parente que foi embora ou que vive fora? Fato é que todos eles nutrem um mesmo desejo: um dia voltar á terrinha e revisitar suas origens.
Há os que negam essa identidade e não dizem de jeito nenhum que são naturais de Jaçanã; alguns sequer querem ouvir falar no nome da cidade. Penso que esses trazem consigo algum trauma ou alguma grave decepção vivida num dado momento de suas passagens por aqui e, por isso generalizaram, achando que negar sua identidade apaga aquele recorte de uma situação vivida em algum fragmento do seu passado.
 Felizmente há aqueles filhos que têm orgulho de dizer que são de Jaçanã sim e que só não vivem mais aqui porque reconstruíram suas histórias em outras cidades. Verdade é que a identidade de uma pessoa é emblemática. E não tem jeito, você pode mentir para os outros e até para si mesmo, mas aonde quer que você vá a sua essência jaçanaense vai te acompanhar pelo resto da vida. Ela está entranhada no seu sangue e na sua mente. Não tem como fugir.
A identidade de um ser humano é como uma tatuagem: é para sempre. É ela que faz as nossas lembranças nos remeter às imagens, aos cheiros, aos sabores, aos costumes, às vivências e às gentes de nossa terra. Não adianta negar mesmo. Você pode até criar vínculos em outras regiões, mas foi aqui que você germinou. Foi neste solo que você brotou e, mesmo que não queira, trará consigo para sempre nossa Jaçanã como gênese da sua construção humana.
 E assim são os jaçanaenses que vão e que vêm nessa revoada eterna pela sobrevivência. Há os que aportam e criam ninhos noutros lugares e há aqueles (a maioria, por sinal) que não esquentam canto em lugar nenhum, porque a sua identidade grita mais forte no interior de seus corações e eles precisam voltar à fonte de sua criação como num ritual contínuo de revigoramento.
 Não tem jeito: a nossa identidade é mesmo reveladora e decisiva. Quantos de nós já andamos pelo mundo, conhecemos pessoas e cidades, mas somos conscientes de que o nosso retorno é como um órgão vital do nosso corpo e é em Jaçanã que está a fonte que o alimenta e que o nutre.
Um dia qualquer eu posso até voltar a sair daqui pra viver em outra cidade, mas tenho certeza de que voltarei sempre, e sempre, e sempre; movido pela minha identidade e por tudo que essa cidade representa pra mim. Afinal, a identidade a gente não escolhe, é ela que escolhe a gente e acontece com todas as pessoas, de todos os lugares do mundo. Identidade é raiz e raiz a gente finca no nosso chão. O resto é caule que se estende em várias direções e horizontes. Por isso viva a identidade de cada um de nós!

3 comentários:

  1. Pois é meu amigo, minha raiz é eterna e Jaçanâ é um lugar inesquecível. As lembranças vêm à tona a cada momento de alegria, e isso alimenta o desejo de um dia retornar pra sempre.

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  2. Deve ser por isso que eu não aguento um final de semana longe daqui!

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