quarta-feira, 13 de setembro de 2017

A MORTE, UMA SENHORA QUE NINGUÉM QUER ENCONTRAR

Em um curto espaço de tempo em que perdemos tantas pessoas queridas, entre ela figuras tão importantes e emblemáticas da história da nossa cidade, como; Zé Abdias,  Zé Pereira, Deuzineide Mota e Yuri Gomes, eu me pus a pensar sobre a morte. Por que será que ninguém nunca fala da morte? Por que nunca estamos preparados para lidar com ela se essa é a única grande certeza que temos nessa vida? Sim, a morte um dia virá para todos nós. É inevitável. Não sabemos como e quando partiremos e nem tão pouco queremos partir. Mas que ela virá, ah ela implacavelmente virá!
          Morrer é mesmo ridículo. Você combinou de sair com os amigos, está em pleno tratamento de saúde, tem planos para a semana que vem, precisa ir na casa de um parente, comprar aqueles itens que faltam em casa e no meio de tudo de repente morre. Como assim? E as coisas que você ainda não fez, o livro que ficou pela metade, o trabalho não finalizado, o dinheiro pra sacar no banco, o telefonema que você prometeu dar? Tanta coisa para fazer. Tanta coisa para ver e sentir e de repente, do nada, a gente se vai. Oh coisa sem graça é ter que ir embora para sempre!
          Morrer é a coisa mais fácil que tem no mundo. Na verdade, viver é um grande risco e a morte está ali na espreita para nos abocanhar a qualquer instante. De uma hora para outra tudo termina numa colisão na estrada, numa artéria entupida, na picada de um mosquito, num disparo de um bandido que quer o que a gente tem (...) São mil e uma formas de morrer. E estamos todos os dias expostos a isso sem nem nos darmos conta do grande perigo que é estar vivo.
          De fato morrer é previsível, mas é muito desagradável. Obriga você a sair no melhor da festa sem se despedir de ninguém, sem ter comido aquela comida preferida, sem ter tido tempo de ouvir outra vez aquela música marcante, sem dizer àquela pessoa amada o quanto você a amava. Você deixou em casa suas roupas penduradas nos cabides, seu calçado debaixo da cama, suas coisas desarrumadas e até mesmo algumas contas por pagar. Outras pessoas vão ser obrigadas a mexer em seus pertences pessoais, a vasculhar nas suas gavetas, a apagar os rastros que você deixou em uma vida inteira. E aquelas coisinhas íntimas que só você sabia onde estavam, vão enfim ser descobertas. Eita! Lascou-se!    
         É verdade que falar da morte é chato, é macabro, é desconcertante. E é por isso que todo mundo foge desse assunto. Quem danado lá quer saber de morrer, embora que essa seja a única certeza que todos nós temos? Apesar dessa negação à morte, quando se vive com essa consciência de que ela inevitavelmente virá, se vive com mais propriedade.
          Quando nos comportamos como se fôssemos imortais perdemos muito tempo com picuinhas, com besteiradas, com tantas coisas sem importância. Saber que a morte é algo eminente nos faz entender que tudo aqui é muito breve e que podemos não estar mais aqui amanhã para darmos o último abraço, o último beijo, o último aceno. Vamos tomar como exemplo esses tantos queridos que tão breve se foram: numa bela tarde estavam felizes e contentes convivendo entre os seus familiares; e na outra já não estavam mais entre nós. A vida é um sopro e às vezes perdemos esse precioso tempo odiando, blasfemando, juntando bens e envelhecendo sem vermos a vida passar.
É inegável que tem muita gente viva que já morreu há muito tempo, entregue a uma vida sem graça, sem emoção e sem simplicidade, em sua maioria preocupada com a ascensão social e com os bens materiais, quando na verdade deixará isso tudo para trás na hora da partida. 
       Por isso viva tudo o que tem para viver. Não se apegue às coisas pequenas e inúteis da vida. Viva intensamente, alimente o que te faz bem e se ame, sempre!




2 comentários:

  1. Perfeita reflexão, Oton! Concordo plenamente. Alguns dizem que Deus é quem causa a morte das pessoas, mas isso não é verdade. "E o último inimigo a ser reduzido a nada é a morte", disse o apóstolo Paulo numa visão do que irá acontecer no futuro da humanidade (1 Coríntios 15:26). A morte é um inimigo do homem porque Deus não criou o homem para morrer. Como diz o livro de Eclesiastes, "Ele fez tudo belo a seu tempo. Pôs até mesmo eternidade no coração deles..." (3:11). O Criador nos colocou o desejo de viver, e para sempre. Por isso a morte para nós é tão estranha e causa tanta tristeza. Nos 6000 anos de história humana documentada, o ser humano não se acostumou com a morte, nem se acostumará algum dia. No entanto, "os velozes nem sempre vencem a corrida, e nem sempre os fortes vencem a batalha...porque o tempo e o imprevisto sobrevêm a todos eles" (Eclesiastes 9:11). Como você bem colocou, viver é um risco constante e coisas não esperadas "imprevistos", sobrevêm a todas as pessoas, sem exceção. A única esperança do homem é Deus porque ele é fonte da vida. O apóstolo João teve uma visão do futuro, e nessa visão, nessa profecia, as pessoas viverão eternamente na terra, a morte não será mais uma ameaça (Apocalipse 21:1-5).

    ResponderExcluir
  2. Me identifiquei muito com o texto.Esta semana eu estava conversando com meu sobrinho Valter Teixeira a respeito da morte de nosso amigo , e o assunto foi bem semelhante a posição do prof. Oton Mário.Mas contudo eu no meu sentir quero afirmar que a morte não é um castigo,nós choramos quando nascemos e nem sempre choramos quando morremos.Independente de tendencias religiosas eu sinto a morte como um renascimento.Como disse GILBERTO gil na música drão: a semente tem que morrer pra germinar.Como disse Ney Matogrosso: Quem não vive tem medo da morte.

    ResponderExcluir