sábado, 7 de outubro de 2017

COMO ME VEJO UM ANO DEPOIS

           
         Há exatamente um ano eu vivia e emoção de ter sido escolhido pela maioria do meu povo para ser o gestor dessa cidade que tanto amo. Antes, jamais eu havia pensado em entrar para política. Sempre fui um pouco avesso à política partidária, justamente por não concordar com a forma como ela é praticada na maioria dos casos.  Entretanto, sem que eu nem percebesse, a vida me levou para os caminhos da política e, sem eu me dar conta direito, em pouco tempo eu já estava candidato a prefeito. Talvez isso tivesse no meu destino, não sei ao certo. (A vida e seus mistérios!) Só sei que esse nunca um desejo pessoal meu. Na verdade fui contagiado pelo desejo de dezenas de amigos e alunos que viam na minha pessoa um nome possível para a alternativa de mudança que tanto desejavam que acontecesse na história política da nossa Jaçanã.
          Do ponto de vista lógico, era praticamente impossível que eu vencesse aquela campanha, pois eu não vinha de nenhuma base política, não tinha ninguém na família que foi político, só tinha um candidato a vereador e não fui apadrinhado, indicado ou patrocinado por ninguém. Sai do anonimato e decidi aceitar o desafio de sair candidato porque a gente reclama tanto dos velhos políticos e de suas práticas tão antigas que me perguntei: “Se a gente reclama que eles são sempre os mesmos, o que é que a gente está fazendo pra mudar isso? Por que não colocar o próprio nome para as pessoas decidirem o que desejam?”. E foi isso. E deu certo. Claro que durante a trajetória muita gente de bem e até políticos de carreira locais me acompanharam. E eu lhes sou profundamente grato por isso. Na verdade, em sua maioria, os eleitores optaram pela mudança e pela construção de um novo viés político para o nosso município. Foi um capricho de Deus! Só pode!
          Desde o início não foi fácil. Comecei desacreditado e enfrentando todos os preconceitos possíveis: ser gay, ser liso, não ter passado político, não ter apoio de grandes nomes do cenário político potiguar, ser um simples professorzinho, ser de um partido nanico e tantos outros. E haja psicológico para aguentar tanta pressão! Mas eu sobrevivi a todos os ataques e sai das urnas vitorioso após lutar contra uma oligarquia dominante e poderosa que se enraizava há décadas em nossa cidade e que não poupou esforços para fazer de tudo para que eu não conseguisse me eleger.
          Passado um ano, ainda não tem sido fácil. Os que concorreram comigo e seus seguidores se declararam ferrenha oposição e até hoje não se conformam por eu “ter atravessado os vossos caminhos”, frustrado seus desejos e interrompido suas ambições tão pessoais. Entretanto, eu era apenas um candidato entre os demais, num direito legítimo que a lei me confere. Não infringi a lei natural das coisas. Não roubei lugar de ninguém. Apenas me candidatei e o povo me preferiu. Não tenho culpa disso.
          É claro que nesse um ano provavelmente muita gente que acreditou em mim se decepcionou comigo e talvez até se arrependeu de ter votado em mim. Sou humano, sou falho, cometo erros. É natural. Não sou 100% certinho, nem quero ser o dono da verdade e nem estou acima do bem e do mal. No entanto, acredito que muitas dessas pessoas não me conheciam realmente ou não entenderam o meu propósito tão explicitado durante a campanha inteira. A minha intenção sempre foi instaurar um gestão pública sem privilégios, sem vícios de gestão e sem "arrumadinhos". Infelizmente muita gente não estava acostumada com isso e não acreditava que eu realmente procederia assim. Por isso que durante toda a campanha eu não prometi nada a ninguém e se alguém criou algum tipo de expectativa votando em mim pensando em obter vantagens pessoais, criou essa impressão de livre e espontânea vontade. Eu nunca alimentei esse tipo de esperança em ninguém. Eu sempre disse que o voto precisa ser encarado como um instrumento de confiança e não como uma moeda de troca. Por isso fiz (e faço) política sempre defendendo o “voto livre”.
          Sei que fazer uma política diferenciada, cortando privilégios, colocando quem não trabalhava para trabalhar, aplicando com responsabilidade o dinheiro público e dizendo “nãos” quando se faz necessário, choca a muitos e deixa muita gente decepcionada com minha pessoa. Sei que sou taxado de prefeito impopular simplesmente porque não faço uso das velhas práticas políticas, porque não "dou colher de chá", porque não trabalho com exceções, porque descentralizo as ações da gestão com os demais profissionais que me cercam e porque trato e vejo a coisa pública de outra forma.
Difícil tem sido lutar contra os velhos costumes deixados por gestões anteriores onde imperava o paternalismo e o jogo político condicionado ao voto. É tanto que muitas pessoas chegam para mim e me dizem: “Eu quero que você me dê isso porque eu e toda a minha família votamos em você!”. As velhas práticas políticas ainda estão disseminadas em nossa sociedade e lamento que ainda vai levar décadas para que elas sejam abolidas. Ainda fico estarrecido quando um funcionário quer que eu deixe ele em casa sem trabalhar, simplesmente porque ele votou em mim. Sinceramente não foi para isso que me candidatei!
          Talvez eu esteja errado por pensar e agir assim e só descubra isso bem mais tarde. Mas é essa a política na qual eu acredito. Foi pra fazer essa política diferenciada que eu me candidatei. Penso que fui eleito para cuidar da cidade e para fazer o máximo possível em prol da coletividade e não apenas em benefício de um parente, de um correligionário ou de um amigo mais próximo. Sei que a minha gestão tem falhas, pois somos todos aprendizes desse novo fazer político. Apesar disso, em meio a esta grave crise financeira que estamos atravessando, temos feito um esforço sobre humano para que os serviços públicos aconteçam da melhor forma possível. E eles estão acontecendo.
          Definitivamente não consigo ser esse político que olha para as pessoas e a única coisa que enxerga nelas é o seu voto nas próximas eleições. Tenho ouvido o tempo todo: “Você não sabe ser político!”, “Essa não é sua praia!”, “Você não ganha nunca mais!” (...). Que assim seja, digo eu! Enquanto eu estiver em paz com a minha consciência e estiver fazendo as coisas conforme eu acredito que devam ser, está bom demais! Não posso é me moldar a um universo que não é o meu simplesmente porque o “sistema” dita que deva ser como nas velhas práticas. Não posso aceitar e praticar aquilo a que eu só tenho aversão. Penso que não foi para isso que a maioria me elegeu.
          Deixem-me com minhas práticas errôneas, equivocadas e impopulares. Deixo que a população faça o seu julgamento, afinal o povo bota; o povo tira! Nada nessa vida é eterno e eu não estarei prefeito para sempre. Tudo passa, tudo sempre passará. Força e fé no que virá!  

5 comentários:

  1. o texto é enormeee... mas vale a pena ler!! parabèns, a cada dia que passa você me orgulha com seu jeito humilde e simples de ser. seria tão mais facil se algumas pessoas se dessem a chance de conhecer o ser humano extraordinário que você é. 👏👏👏👏👏👏✊✊✊ #ORGULHO

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  2. Sem palavras, o q mim resta é apenas te aplaudir.
    👏👏👏👏👏👏👏👏👏
    #ORGULHO

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  3. Foi nesta forma de fazer política q eu confiei...participei dos momentos...vivenciei contigo a maioria das caminhadas rumo à vitória! Estamos engajados num mesmo ideal: fazer valer a voz do povo e os direitos do povo. Parabéns, Oton Mário! Obrigada por ter tido a coragem de mudar as práticas individuais de fazer política em benefício de uma minoria!

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  4. Fazendo uma retrospectiva sobre cada momento vivido, foi com grande luta e vontade de guerrear que ganhamos essa batalha. Avante!!!

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  5. Fazendo uma retrospectiva sobre cada momento vivido, foi com grande luta e vontade de guerrear que ganhamos essa batalha. Avante!!!

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