terça-feira, 19 de dezembro de 2017

ESCLARECIMENTOS SOBRE A FESTA DO CAJU 2017


 A PREPARAÇÃO

          Uma das coisas que mais me angustiava nesse meu primeiro ano de gestão era sobre como realizar a Festa do Caju 2017. Eu sabia que teria que realizar o evento de qualquer forma, afinal essa seria a sua 17ª edição e ela jamais poderia deixar de acontecer. Sei que se eu não realizasse a Festa do Caju este ano eu seria excomungado até a minha quarta geração. Mas como fazê-la?  Como garantir que a tradição não fosse quebrada e que esse nosso principal evento acontecesse?
          A primeira medida tomada foi elaborar o Projeto de Ação para a Realização da Festa do Caju 2017. O Projeto ficou pronto em maio e ficou orçado em R$ 488 mil (com a caprifeira). Como e onde a Prefeitura iria conseguir uma quantia dessas para realizar esse evento?  Num ano financeiro e difícil como foi 2017, a PMJ jamais teria condições de bancar essa festa sozinha. Diante dessa constatação, decidimos então correr atrás de patrocinadores e pedir ajuda à classe empresarial e política.
          Em busca de patrocínios, ainda em julho, imprimimos dezenas de cópias do Projeto e saímos em busca de ajuda. Na maioria dos casos fizemos questão de entregar o Projeto em mãos às empresas e políticos, noutros enviamos via sedex com AR. Assim, efetuamos a entrega do Projeto para os nossos 24 deputados estaduais, para os nossos 8 deputados federais (e para mais 6 deputados federais de outros estados), para os nossos 3 senadores, para o nosso governador, para instituições bancárias (Banco do Brasil, Bradesco e Caixa) e para empresas privadas como: Skol, Pitú, Ster Bom, Natura, Vitarela, São Braz, entre outras. Além disso, protocolamos o Projeto no Ministério do Turismo (via sistema de convênios) na tentativa de angariar recursos e verbas para que a Festa fosse enfim realizada. Em outubro estive em Brasília, e o processo estava tramitando, mas sem a menor chance de ser aprovado dada a falta de recursos no Ministério do Turismo.
          Chegado novembro, infelizmente praticamente ninguém nos respondeu. A maioria dos políticos a quem enviamos o projeto não deu à mínima importância a nossa súplica. Os únicos três que nos responderam justificaram que não tinham mais como destinar emendas parlamentares para este ano e para este tipo de demanda, ou seja, que não poderiam ajudar de forma alguma. Nenhuma das empresas contactadas respondeu e o Bradesco ficou de patrocinar, mas até o último dia da Festa não tinha acenado com nada. O Ministério do Turismo alegou que não havia orçamento para a realização de eventos como este para este ano. Corte total de verbas em Brasília. Moral da história: não tínhamos a menor condição financeira de realizarmos a Festa do Caju 2017.

A ORGANIZAÇÃO

          Como não havíamos conseguido nenhuma verba ou patrocínio para realizar a Festa e nem a Prefeitura tinha recursos para isso, era preciso partir para outros caminhos. Assim, resolvemos terceirizar o evento e abrimos uma livre concorrência entre empresas que tivessem interesse em realizá-la, utilizando a marca “Festa do Caju”. Nesse processo, cinco empresas interessadas compareceram e apresentaram sua propostas. A que apresentou as melhores condições e atrações e que venceu à livre concorrência foi a Vocalize (representada aqui por Gegê Produções). Após muitas discussões, apresentamos uma minuta de contrato entre as partes e ficou acordado que a Vocalize realizaria a Festa do Caju 2017 e que pagaria um valor de R$ 20 mil à Prefeitura pela utilização da marca e pelo direito de realizar o evento. O pagamento seria em forma de recolhimento de ISS, depositado na conta de arrecadação de receitas do município, cujo destino principal seria para as obras de reconstrução da Prefeitura Municipal. No acordo, a empresa depositaria R$ 10 mil no sábado e R$ 10 mil no domingo. Infelizmente, até hoje ainda não fizeram nenhum depósito.
          Nesse sentido, conforme contrato firmado, toda a organização interna do evento ficou a cargo da Vocalize (contratação de bandas, estrutura metálica, iluminação, logística, contratação de pessoal, hospedagem, segurança, etc). A única responsabilidade que a Prefeitura de Jaçanã teria com o evento era a de ceder a Praça de Eventos para que a Festa fosse realizada.
          Sendo assim, a questão interna da Festa estava resolvida. Faltava agora definir como seria a realização externa do evento. Era preciso ver questões de parque de diversões, de barraqueiros, de ambulantes, de estacionamento e da parte cultural. Vale salientar que não tínhamos conseguido nenhum tipo de patrocínio para realizar a Festa e a Prefeitura não dispunha de orçamento para gastar ou investir nessa logística. Através do Deputado Estadual Souza Neto, conseguimos junto à SESAP a estrutura de pórticos, tendas para a Feirinha de Artesanato e palco para as apresentações culturais. O parque de diversões que viria, chegou a pegar o Alvará de Funcionamento, mas desistiu de última hora e, já nas vésperas, foi substituído por outro menor que se interessou em vir. Sem recursos para praticamente nada, resolvemos alugar (sempre houve isso) os espaços da área do evento para barraqueiros e trailleiros que desejassem comercializar seus produtos alimentícios, ao preço de R$ 100 reais a temporada (para os da cidade) e de R$ 150,00 (para os de fora). A maioria só pagou a metade do valor acordado e dezenas deles deram calote e foram embora sem pagar.
          A logística de divisão dos espaços para os barraqueiros e deaextensão da iluminação na área do evento ficou a cargo da Secretaria Municipal de Infraestrutura. Já a decoração, a organização cultural e o evento de escolha da Rainha do Caju ficaram a cargo da Secretaria Municipal de Cultura e Turismo.
          Sendo a organizadora da primeira noite, a SMCT resolveu que seria “cobrado” um quilo de alimento não-perecível como entrada, que posteriormente seria organizado em cestas básicas para serem distribuídas entre a população mais carente. Entretanto, essa doação de alimento era opcional e quem não o levou não deixou de prestigiar o concurso para a escolha da Rainha do Caju e nem de prestigiar as bandas da primeira noite. Ninguém foi barrado porque não levou.

COMPARAÇÕES

          Se a Festa do Caju 2017 não foi a melhor de todos os tempos, ela certamente foi a melhor que poderíamos realizar num cenário de crise financeira caótica no qual nos encontramos atualmente. Bem ou mal, boa ou ruim, fato é que a Festa aconteceu!
          Há quem critique e compare com as suntuosas festas do passado. Isso é legítimo! Quem viu e viveu tem todo o direito de fazê-lo. Sem problemas! Mas é preciso não esquecer que os tempos eram outros, que em outros anos houve recursos federais e estaduais destinados para a realização da Festa, além de patrocínios de grandes empresas e de emendas parlamentares ou de deputados que doavam as bandas. Em outros tempos, a situação financeira das pessoas era outra. Em outros anos não se enfrentou essa crise famigerada que enfrentamos esse ano. Tudo foi realmente reduzido agora porque não tinha como ser diferente. Sem dinheiro não se faz um grande evento como esse. Fizemos absolutamente tudo o que podíamos para que a Festa fosse melhor e maior, mas infelizmente as condições financeiras nossas e da população não contribuíram para isso.
          Imaginem que os próprios blocos da Festa do Caju não tiveram êxito este ano. Eles quase não conseguiram patrocínios e amargaram prejuízos. Por isso reduziram drasticamente o número de foliões, não conseguiram vender integralmente os seus abadás e nem conseguiram realizar a programação vespertina (a exceção dos Biriteiros), fechando com a tradicional volta de trio elétrico pela cidade. Blocos tradicionais que saiam com mais de duzentos foliões, este ano não juntaram nem cinqüenta. Os blocos que conseguiram sair ainda conseguiram apenas realizar a sua programação noturna, mas era notável que os camarotes estavam com menos de um terço da quantidade de foliões que juntavam antes.
          Admito e concordo que os tempos áureos da Festa do Caju não se repetiram este ano, mas a culpa disso não pode ser atribuída ao prefeito, à Prefeitura ou á organização da Festa. O país atravessa uma crise financeira sem precedentes, o Governo Estadual está com os salários atrasados, o comércio em declínio, desemprego em massa. Como querem que diante de um cenário desses a Festa do Caju seja tal como era no início dos anos 2000? As pessoas estão tendo que planejar suas prioridades e gastar na Festa não era a prioridade de muitas delas. A festa foi como foi possível e aconteceu como pôde acontecer.
          Seria uma imprudência de minha parte deixar os funcionários sem salário, deixar o hospital e PSF’s sem médicos e materiais, deixar de oferecer os serviços básicos à população para realizar uma suntuosa Festa para agradar aos olhos de quem faz a crítica apenas pela crítica. Prefiro mil vezes que os servidores estejam com os seus salários em dias e que os serviços públicos estejam funcionando plenamente do que usar esses recursos para fazer uma Festa gigantesca. Se eu estou errado em fazer isso, paciência!
          Infelizmente a Festa do Caju 2017 realmente não foi uma festa grandiosa e com proporções 100% populares. Mas, enquanto gestor, tenho a convicção de que fiz o que estava ao meu alcance para oportunizar que os jaçanaenses participassem da melhor forma. Para tanto, comecei antecipando o pagamento do décimo-terceiro salário para todo o funcionalismo municipal, orientei que a Vocalize vendesse senhas antecipadas a preços mais acessíveis, garanti que a festa se estendesse além da área interna, afinal a Festa não se resume apenas aos shows musicais na área paga. Assim sendo, as pessoas poderiam se divertir nos quiosques, nas barracas, no parque, na estrutura montada em toda a área em volta da Praça de Eventos. As senhas que recebi de cortesia (50 por noite) as distribuí com pessoas carentes que não tinham realmente como pagar a entrada para assistir aos shows, como também entre os funcionários da Secretaria de Infraestrutura e com as dez candidatas que participaram do concurso da Rainha do Caju 2017. Não privilegiei amigos, apadrinhados, secretários ou comissionados.
               E sobre a utilização de paredões de som nos canteiros próximos aos quiosques, infelizmente não tínhamos como proibir o seu uso por completo. A Festa do Caju é uma festa tradicional e são esses paredões de som que atraem os foliões e que animam a cidade, além de incrementarem o fluxo do comércio local fazendo gerar lucro, emprego e renda. Claro que há excessos e por isso recomendei que a Polícia Militar pedisse aos seus proprietários que baixassem os volumes quando estes extrapolassem os decibéis permitidos por lei. E assim foi feito, pois proibir que fossem ligados comprometeria ainda mais o sucesso da Festa, além de violar a própria Constituição Federal.

AGRADECIMENTOS

          Na contramão de quem só sabe criticar, a Festa do Caju 2017 cumpriu a sua missão e fez feliz as centenas de jaçanaenses e visitantes que estiveram prestigiando o evento nesses quatro dias. Bem ou mal, a Festa aconteceu e foi tranquila, pacífica, sem incidentes mais graves e sem muitas ocorrências policiais. Tudo absolutamente dentro da normalidade. Graças a Deus!
          Sobre o incidente na noite do sábado, quando a banda Brasas do Forró veio e não tocou, é importante destacar que toda a organização da Festa era de responsabilidade da Vocalize. Se a empresa e a banda tiveram problemas, a Prefeitura não teve nenhuma culpa ou responsabilidade com isso. A Festa foi terceirizada e tudo que acontecesse do portão de entrada em diante era de responsabilidade exclusivamente da Vocalize. Segundo ela mesma, a banda, que era para começar a tocar as 3h da manha, só chegou na cidade às 4h40, descumprindo assim o seu contrato. Mesmo assim, queria tocar por menos de uma hora e queria receber o cachê contratado integral, o que não foi aceito pela empresa contratante. Não havendo acordo, a banda foi embora.
Embora admita que a Festa do Caju 2017 não teve a grandiosidade com a qual estávamos acostumados, concluo agradecendo a todos que se envolveram direta ou indiretamente na realização desse evento. Assim, rendo a minha gratidão à Vocalize, pela realização; às secretarias municipais e seus funcionários, pelo apoio logístico; à radio FM Flores, pela cobertura jornalística; à Polícia Militar, pela segurança; aos deputados Souza Neto e Rafael Motta, pela presença; aos barraqueiros e às artesãs locais, pelo abrilhantamento; aos blocos e seus foliões, pela alegria; e aos conterrâneos e amigos, pelo entendimento e pela compreensão. A todos o meu cordial “Muito Obrigado!”
Ah, ainda esta semana publicaremos uma nota com a prestação de contas da realização da Festa do Caju 2017 (área externa), já que a área interna foi terceirizada à Vocalize. Ainda estamos esperando que a Vocalize cumpra as cláusulas do contrato e deposite ainda hoje o valor acordado conosco.





Um comentário:

  1. Como se deu o desenrolar da contrapartida, da empresa que realizou a festa do caju do ano passado. Ela já pagou o que deve aos cofres públicos municipais ?

    ResponderExcluir