terça-feira, 27 de fevereiro de 2018

O PERIGO DOS BOATOS ESPALHADOS POR AÍ

          
"Tu ficasse sabendo que fulano..."
Sempre achei a comunicação uma das características mais incríveis da humanidade, tanto que meu primeiro curso de graduação foi Comunicação Social. Assim, nas minhas peças jornalísticas, nos livros que escrevi e até hoje, procurei sempre ter certeza das informações antes de tecer comentários ou de propagar minhas opiniões. Nunca fui leviano e nem espalhei inverdades por aí. O cuidado em apurar as informações, em fazer um aparato investigativo e em comprovar a veracidade dos fatos antes de publicá-los sempre pautou a minha vida e a minha relação com as pessoas. Eu sempre soube que “palavras mal usadas cortam mais que uma navalha”.
Com o advento da internet, as relações interpessoais tornaram-se mais instantâneas e dinâmicas e, por meio das redes sociais e dos aplicativos de conversas, as informações são disseminadas numa velocidade voraz. Com a popularização da rede, todo mundo tem acesso a consumir e a produzir informação. E é aí onde justamente mora o perigo: uma simples opinião ou um pensamento que se transforma em palavras pode ser publicado e tomar dimensões inimagináveis. A necessidade de dizer, de falar, de comentar, de opinar e de se manifestar sobre algo faz, muitas das vezes, as pessoas dizerem o que pensam ou acham sem atentarem para as conseqüências disso. Hoje todo mundo é perito em tudo e caiu na rede já era.
A questão se agrava quando aqueles que se informam ou que postam informações não têm nenhum compromisso com a realidade e começam a espalhar inverdades ou boatos por aí. Essas nocivas práticas espalham desinformações que se proliferam na velocidade dos compartilhamentos e que são capazes de influenciar e de conduzir outras pessoas a ações igualmente infundadas, prejudiciais ou perigosas. Na velocidade dos cliques, e sem parar para pensar na veracidade da informação recebida, milhares de usuários desatentos, acabam por contribuir para a proliferação da ofensa, do boato e da maldade espalhados por alguém. A coisa mais fácil é inventar uma mentira sobre algum fato ou pessoa e sair espalhando por aí. Sem buscar averiguar direito, adeptos vão replicando a informação recebida e quando se percebe o estrago já está feito, muitas das vezes sem ter como recuperar o dano e o desastre que tal boato causou.
Pessoalmente sempre fui alvo de mentiras e boatos. A inveja, a maledicência e o preconceito sempre me acompanharam e eu sempre tive que ter muito “jogo de cintura” para lidar com isso. Especificamente depois que me tornei prefeito, as mentiras e os boatos a respeito das minhas ações e da minha vida pessoal triplicaram. Com o objetivo apenas de me prejudicar, de me desmoralizar e de me intrigar com a população, pessoas que não gostam de mim inventam mentiras e espalham boatos por aí. Às vezes perco um tempo e uma energia enormes tentando reunir provas para desfazer o estrago que esses boatos causam. Às vezes consigo. Às vezes, infelizmente, não.
Entre os boatos mais recentes a meu respeito, espalharam por aí que eu encaminhei um ofício ao Detran e á Polícia Federal pedindo que esses órgãos viessem a Jaçanã fazer blitz e prender as motos dos agricultores e de outros usuários. Infelizmente boatos como esses são tão bem orquestrados que há pessoas que acreditam e os espalham como se fossem verdades. Simples de desmentir esse: cadê a cópia do tal ofício enviado por mim? Até agora não apareceu. Que poder tenho eu de “mandar” nos órgãos estaduais e federais? No caso das blitz, elas simplesmente vêm, independentemente da minha vontade. Eu sou apenas um gestor e não estou acima das leis. 
E como podemos minimizar a onda de boatos e mentiras inventados por aí? Inicialmente, jamais presumindo ou deduzindo um fato sem ter a comprovação real de sua ocorrência, ou seja, não acreditando imediatamente em tudo o que ouvimos e lemos. Segundo, devemos ter consciência do dano que podemos causar ao apertarmos o ícone compartilhar ou quando passamos a frente uma inverdade na internet ou na rodinha entre amigos. Por fim, devemos sempre ter a consciência de não levar adiante o que não é confirmado e principalmente, de avaliar se aquele conteúdo, se compartilhado, poderá ou não causar transtornos a alguém. É preciso primeiro se perguntar: “Será que isso é verdade mesmo?”, “Será que essa pessoa é mesmo capaz disso?”, Será que isso procede?” e procurar ter certeza da informação antes de sair espalhando tudo por aí como um rastilho de pólvora.