quinta-feira, 10 de maio de 2018

QUE FIM LEVOU O BOM SENSO?

         Não sou psicólogo, mas admiro demais quem o é. Entretanto, mesmo não o sendo, por vezes me pego tentando entender alguns dos comportamentos humanos.
          Hoje quero discorrer sobre a falta de educação, de ética e de gentileza de algumas pessoas que interpelam as outras sobre vossas aparências físicas. Tenho observado inúmeros casos dessa indelicadeza no meu cotidiano e me pergunto a todo instante o que levava um ser humano a fazer perguntas tão sem noção. Ontem mesmo eu fui vítima de uma dessas situações.
          À tarde um amigo saia da Prefeitura e avistou na calçada da EETCS um grupo de educadoras que há tempos não as via. Foi lá saldá-las e antes mesmo de elas procurassem saber como ele se sentia ou se estava feliz, duas delas logo lhe disseram: “Nossa, como você está gordo! Naquela época você era fitness e agora está imenso. Tás comendo amarrado, é menino?”
          Ele não sei se ria da falta de bom senso das criaturas ou se lhes dava uma resposta à altura de vossas imbecilidades. Para não deixá-las sem resposta, e sendo gentil, disse-lhes apenas que o fato de  estar acima do peso devia-se a uma vida sedentária e a muito estresse no dia a dia. Fitness? Ele nunca foi fitness.
          Já pensou se le tivesse algum problema por estar acima do peso? Já pensou se ele tivesse algum trauma por causa disso? E seu ele não fosse uma pessoa plenamente resolvida consigo mesmo? Certamente se deprimiria e iria fazer regimes mirabolantes para agradar aquelas duas criaturas sem noção. Em momento algum passou pela cabeça delas de que ele poderia ser feliz como era e que havia ficado contente em reencontrá-las.
          Esse fato aconteceu com meu amigo ontem, mas é muito corriqueiro. Presencio algo do tipo praticamente todos os dias. As pessoas observam e indagam sobre se alguém está gordo, ou magro, ou inchado, ou cabeludo, ou careca, ou barbudo, ou sem barba, ou bem vestido, ou maltrapilho, ou isso, ou aquilo. Elas sempre têm algo a dizer ou a apontar na aparência do outro.
          Ao analisar esses comportamentos, me pego a pensar sobre o que muda na vida de uma pessoa o fato da outra estar gorda, ou magra, ou bonita, ou feia... As pessoas deveriam chegar para as outras com expressões e frases de incentivo, de autoestima e não apontando seus supostos defeitos. Mas efeito tem chegar para alguém e saldá-la com um abraço do que fazer perguntas maldosas sobre aa sua aparência física ou apontar problemas pessoais do outro.
          Ainda analisando esses comportamentos, percebo que a maioria das pessoas que fazem essas perguntas imbecis, as fazem sem nem perceber, talvez motivadas apenas por uma questão cultural (todo mundo faz, vou fazer também). Entretanto, há pessoas que fazem mesmo para exercitar a sua perversidade e têm prazer em menosprezar e magoar as outras. Em geral, essas pobres almas se sentem superiores ou tentam mostrar sua magnanimidade frente às outras apontando-lhes o que foge ao padrão de beleza preconizado pela grande mídia, quando o que de fato desejam é se entreter com a vida do outro para não olhar para a sua própria.
          Citando outro exemplo, há alguns meses a  mãe de outro amigo sofreu uma queda que ocasionou um problema na sua coluna, desviando-a para a esquerda numa visível curvatura. Desde então, a pobrezinha não pode sair de casa que é bombardeada com uma enxurrada de perguntas e comentários do tipo: “Mulher, você tá toda torta!”, “Vixe como você está empenada!”, “O que danado foi isso que você está corcunda?”, “Daqui há pouco você vai estar cheirando chão!” Parece cômico, mas é perverso para uma senhora de 70 anos, tanto que a coitadinha tem evitado sair de casa para não dar mais “entrevistas coletivas” sobre a sua saúde e não passar por constrangimentos.
Aí volto a me perguntar: “Que importância tem a coluna da mãe dele para as outras pessoas”? Não seria mais louvável ficar feliz em vê-la bem, andando contente (ainda que curvada) e participando da vida social da cidade?
          O bom senso recomenda que não é preciso avisar para as pessoas que elas estão gordas, ou magras, ou pálidas, ou bronzeadas (...). Elas têm espelho em casa e sabem disso. Cada um sabe de si. Esses comentários maldosos só ferem as pessoas e criam uma sociedade excludente e má. Por isso há tanta gente sofrendo de depressão e há tantos casos de suicídio por aí.
          As pessoas precisam olhar para outras preocupadas em enxergar além da vossa aparência física. Bom mesmo é deixar a pessoa com uma lembrança boa do seu reencontro e não como um motivo para se deprimir depois ou para ficar de baixo astral. É preciso mais amor, mais toque, mais afago, mais afeto. É preciso bom senso! 

         

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